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22
ago

Almejando o tempo

Vejo os sapatinhos do meu filho crescendo
Conquistando roupinhas cada dia maiores
Seu corpo movendo pouco a pouco o tamanho, pela medida dos pés no berço
Vejo as coisas que me conta, brincando com ele pela manhã ainda mais cheias de espertezas

E agora me vem outro.
E tentarei ver nele semelhanças.
Buscarei entender de novo, o que novamente não caberá explicações.
Mas não crio alardes.

E dobro esquina, meu amor não se divide. Ainda mais cresce.
E me imagino no segundo, o amor ainda mais aumentar.
Pelo primeiro. Pelo segundo. Pela vida.
Num sobressalto.

E então, sinto ter mais Deus em mim.
E mais me povoa também a infelicidade.
Não infelicidade inóspita. Mas infelicidade burra.
De quem não quer ver que a vida, quanto mais se ama, mais dela se morre.
Mas sigo aprendendo, enquanto cresce barriga, a me deixar morrer.
Pois almejo que do que não se prenda, de mais vida me volte

E que desse sentimento que não pensa,
Dessa tristeza que não povoa,
Possa nascer a felicidade passageira e que povoa bilhões de segundos do instante de amar.

Marina Ferraz
abril de 2015

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